Um blogue de mensagens, pregações, estudos e teologia. Pastor Alberto J Santos, é pastor na Igreja Batista Nacional Manancial em Nova Pampulha, Belo Horizonte desde 1998, onde ministra a santa palavra de Deus.
Louvores Abençoadores
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
4 Lições Básicas Que A Cruz De Cristo nos ensina
As Escrituras afirmam que Cristo
carregando a sua própria cruz saiu para o lugar chamado Gólgota, onde foi
crucificado. (Jo 19:17-18).
Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este,
crucificado. 1
Coríntios 2.2
Texto: I Coríntios 1.17-25
Qualquer pessoa que estude o
cristianismo pela primeira vez logo ficará impressionada com sua ênfase na
morte de Jesus e, como já vimos, particularmente com o espaço desproporcional
que os evangelistas dedicam à sua última semana de vida.
Os autores dos Evangelhos haviam
aprendido essa ênfase com o próprio Jesus. Em três ocasiões distintas e solenes
Jesus predisse sua morte dizendo: "Era
necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas... e... fosse morto" (Mc 8.31). Era necessário que isso acontecesse — ele
insistiu — porque havia sido predito nas Escrituras do Antigo Testamento.
Jesus também se referiu à sua morte como a sua "hora", a hora para a
qual ele viera ao mundo. No começo, ele
repetiu que ela ainda "não havia chegado", mas finalmente pôde dizer
que "sua hora chegara".
Talvez o mais impressionante de tudo
isso é o fato de Jesus ter determinado, de modo deliberado, como gostaria de
ser lembrado. Ele instruiu seus discípulos a tomar, partir e comer o pão em
memória de seu corpo, que seria partido por eles, e a tomar, derramar e beber o
vinho em memória de seu sangue, que seria derramado em favor deles. A morte era
representada por ambos os elementos.
Nenhum simbolismo poderia ser mais
claro. Como ele queria ser lembrado? Não por seu exemplo ou seu ensino, não por
suas palavras ou obras, nem mesmo por seu corpo vivo ou pelo sangue que corria
em suas veias, mas por seu corpo entregue e seu sangue derramado no sacrifício
da cruz.
A Cruz é mensagem central da nossa
pregação e também a pedra central de nossa fé. A morte do Cordeiro que tira o
pecado do mundo deve ser a nossa proclamação. O sangue justo derramado na cruz
a favor dos eleitos deve ser a nossa ênfase principal. A cruz é o centro da
história do mundo. A encarnação de Cristo e a crucificação de nosso Senhor são
o centro ao redor do qual circulam todos os eventos de todos os tempos. No
entanto, parte das igrejas evangélicas brasileiras tem pregado um evangelho
muito diferente do evangelho da Bíblia. Em dias tenebrosos como os nossos,
muito se tem falado sobre vitória, bênçãos e prosperidade, contudo, quase não
ouvimos mais pregações sobre a centralidade da Cruz. O saudoso pastor anglicano
John Stott acerta vez afirmou que um dos mais graves equívocos da igreja
evangélica é querer um cristianismo sem cruz.
Isto posto, gostaria de elencar
alguns pressupostos bíblicos e teológicos extremamente importantes sobre a cruz de Cristo:
1- Na Cruz todo escrito de dívida que era contra nós foi cancelado. Em outras palavras não existe
nenhuma maldição que possa prevalecer, amedrontrar ou escravizar aqueles que
tiveram um encontro com Cristo. A morte do Jesus foi suficiente para quebrar
todo tipo de maldição. Paulo afirma que o Senhor nos libertou do império das
trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor. Se não bastasse
isso, as Escrituras são claras em afirmar que se o Filho nos libertasse
verdadeiramente seríamos livres. Portanto assegurar que precisamos quebrar
maldições hereditárias, e repreender de nossas vidas espíritos familiares,
aponta para um profundo desconhecimento do significado da cruz.
2- O sacrifício de Cristo na cruz foi suficiente para libertar os eleitos
das garras de satanás. Uma pessoa alcançada pelo Senhor não precisa fazer absolutamente nada
para se ver livre das ações do cramuhão. Mediante a fé em Jesus e pela
maravilhosa graça a nós concedida tornamo-nos livres do diabo. Isto significa
dizer que o crente em Jesus não precisa expulsar encostos, fabricar amuletos
mágicos, exorcizar espíritos familiares nem tampouco mistificar a fé.
3- A morte de Cristo na Cruz bem
como o seu sangue derramado pelos eleitos foi suficiente para a nossa salvação. A cruz nos remete ao fato inexorável
de que nada do que façamos pode atenuar a nossa dívida para com Deus. Portanto
qualquer sacrifício ou oferta que apresentemos ao Senhor afronta de forma
efetiva o nome do Eterno. "Esta
consumado". Essa é a mensagem da
cruz! Portanto, não precisamos mais de nenhum sacrifício, a sua Graça nos
basta. Aleluia!!
4- A cruz de Cristo aponta para nossa miséria. Ora, A Bíblia nos ensina que
independente de cor, raça, sexo e nacionalidade, nascemos em um estado de
pecaminosidade, culpa, e morte espiritual. O ensino cristão é de que não existe
um homem neste planeta que possa considerar-se justo pelos seus próprios
méritos. Na verdade, a Bíblia afirma que “todos pecaram, e que todos estão
destituídos da graça de Deus.” (Rm 3:23), diz também “que o salário do pecado é
a morte” (Rm 6:23), e que quem peca, “transgride a lei” (I Jo 3:04), e que o
pecado faz separação entre os homens e Deus. (Is 59:02)
Prezado amigo, a cruz é o atestado
divino que somos pecadores e que somente por Cristo podemos obter perdão de
todos nossos pecados. Ouso afirmar que a cruz é o principal simbolo da nossa
redenção e salvação e que ao contrário de alguns ensinos neopentecostais que
fazem da cruz o instrumento de "divinização" do homem, ela nos mostra
as quão carentes, miseráveis e impotentes nós somos.
Louvado seja o Senhor pela morte de Cristo na cruz!
Como bem afirmou John Stott qualquer
pessoa que investigue o cristianismo pela primeira vez ficará impressionada
pelo destaque extraordinário que os seguidores de Cristo dão a sua morte. No
caso de todos os outros grandes líderes espirituais, a morte deles é lamentada
como fator determinante do fim de suas carreiras. Não tem importância em si
mesma; o que importa é a vida, o ensino e a inspiração do exemplo deles. Com
Jesus, no entanto, é o contrário. Seu ensino e exemplo foram, na verdade,
incomparáveis; mas, desde o princípio, seus seguidores enfatizaram sua morte.
Além disso, quando os evangelhos foram escritos, os quatro autores dedicaram
uma quantidade de espaço desproporcional à última semana de vida de Jesus na
terra – no caso de Lucas, um quarto; de Mateus e Marcos, cerca de um terço; e
de João, quase a metade.
Oh! Quão maravilhosa é a mensagem da
Cruz! Como diz a clássica canção: "Sim eu amo a mensagem da cruz, até
morrer eu a vou proclamar, levarei eu também minha cruz, até por uma coroa
trocar.
quinta-feira, 14 de setembro de 2017
Como Mandar Seus Filhos Para O Inferno
“Ensina a
criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se
desviará dele.” (Pv. 22:6)
O
provérbio acima é uma promessa ou uma advertência? Segundo o hebraico, a frase
“no caminho em que deve andar” não está traduzida de maneira correta. Ela
deveria ser “de acordo com seu próprio caminho”. Assim, você tem no capítulo
22, versículo 6, uma predição proverbial de que a criança educada e ensinada,
desde o começo, a seguir seu próprio caminho, estará, para todo sempre, ligada
a ele.
O
provérbio pode ser visto como uma “promessa” encorajadora de dois modos
possíveis. Um, o mais comum, o apresenta ensinando que se você “pai-storear”
corretamente seu filho de acordo com o seu chamado da aliança, isto resultará
em fidelidade eterna. A outra forma “positiva” de entendê-lo, revela um sentido
diferente. Salomão aqui, estaria falando do reconhecimento, de antemão, da
propensão vocacional existente em seu filho. Se esta propensão for cultivada,
ela resultará numa devoção eterna e frutífera para o ofício escolhido. Como
tal, o provérbio pode ser tomado como algum tipo de indução a um aprendizado
precoce. Se você observa que seu filho gosta de cavalos, por exemplo, deixe-o, o quanto antes, ser treinado nesta
área por um perito. A frase ensinar poderia ter então, o sentido de “dedicar”
ou mesmo “estimular”. Deixe-o empregar seus dons naturais o quanto antes, e ele
os usará naquela área por toda vida.
Mas
há um terceiro modo de entender este verso, e esse não como uma promessa, mas
como uma advertência. A Palavra pode estar nos ensinando que se você educar a
criança de acordo com suas próprias (pecaminosas, naturais) inclinações, você a
terá arruinado para a vida.
Assim,
este provérbio poderia ser um complemento a muitos outros provérbios que tratam
do mesmo assunto. Por exemplo, em 22:15 encontramos: “A estultícia está ligada
ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela” e em 19:18 há
a admoestação: “Corrige a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas
a ponto de matá-lo.” Dizendo enquanto há esperança, encontramos o autor
sugerindo que haverá um tempo quando o treinamento ou a disciplina serão,
humanamente falando, vãos, sem esperança, infrutíferos, inúteis. Se você
deixá-lo seguir seus instintos corrompidos fora da porteira (conforme 22:6),
mais tarde você não o terá de volta ao caminho.
Este
último modo de interpretar Pv. 22:6 é o mais recomendado. Primeiro, ele permite
a versão literal a fim de transmitir uma
mensagem coerente, sem emendas. Segundo, ele é apoiado por instruções e
admoestações muito similares quando o
mesmo assunto (criação de filhos) é tratado no mesmo livro inspirado. Terceiro,
e este é de vital importância ao testar a interpretação apropriada de um
provérbio inspirado, é que ele é legítimo no que se refere à vida e a
experiência comum. “Há pouca esperança para crianças que são educadas de
maneira imprópria. Se a tinta respingou na lã, é muito difícil tira-la da
roupa” diz Jeremiah Burroughs. E muitos são os que têm notado, como fez William
Gurnall, que a “Religião cristã não cresce sem que se plante, mas murchará,
mesmo onde foi plantada, se não for aguada. Ateísmo, irreligião e profanidade
são ervas daninhas que crescerão sem semeadura, mas não morrerão sem que sejam
arrancadas”. Deixe uma criança seguir
seu próprio caminho quando for jovem e ela crescerá para ser um “jardim” de
ervas daninhas.
Acima e abaixo de todas as possíveis
interpretações de Provérbios 22:6, está uma pressuposição da maior
importância: Como os pais lidam com as
dificuldades de suas crianças. Aqueles que principiam seus conceitos com a
eleição ao invés de com a aliança podem facilmente cair em alguma sorte de
fatalismo não bíblico. Mas pelo fato de Provérbios (para não mencionar o
restante das Escrituras) nos falar de diversas conseqüências provenientes de
diferentes ações humanas, somos seguramente levados a crer que o modo pelo qual
eu crio meus filhos é realmente um assunto muito importante, que, mais do que
um modo de falar, pode muito bem influir na definição de onde eles passarão a
eternidade.
Nunca
é uma honra a Deus que Seu povo fale de Sua soberania de modo a desobrigá-los
de suas responsabilidades. Somos levados a crer pelas Escrituras que podemos e
devemos ter uma influência tal sobre nossos filhos que não é incomum que ela os
conduza à salvação, com a bênção de Deus e o suporte da comunidade da aliança,
conforme Gn 18: 16-19; 1 Tm 3: 4,5; Tt.1:6 e também 2 Tm. 3: 14,15.
Assim
sendo, devemos saber que nossa ação ou inação bem pode conduzi-los à
condenação. E, se falhamos em ouvir os avisos e a direção de Deus encontrados
por toda a Escritura, no último dia não seremos autorizados para suplicar pelos
decretos de Deus em nossa defesa!
Visto
que o inferno é a eterna e atormentadora separação de Deus e do conforto,
alguém poderia pensar que o mais fervoroso desejo de um pai seria educar seus
filhos, rigorosa e conscientemente, para que
escapassem da perdição e achassem refúgio e plenitude de vida em Deus
através de Cristo e da aliança. Ainda assim, muitos são os que parecem
considerar isto como sendo muito trabalhoso. Para aqueles tão completamente
perversos a ponto de serem indiferentes à questão, eu apresento um método para
fazer com que isto seja uma certeza. Aqui, através de 18 meios bem fáceis de
seguir, está a fórmula comprovada de como mandar seus filhos para o inferno:
1) Crie seu filho para buscar seu próprio
caminho. Ignore com todo seu coração o que J. C. Ryle aconselha em The Duties
of Parents (Os Deveres dos Pais):
“Se
você for educar seus filhos corretamente,
então, em primeiro lugar, eduque-os no caminho em que devem andar e não
no caminho em que eles escolheriam. Lembre-se: crianças nascem com uma
inclinação decidida para o erro, e portanto, se você permitir que escolham por
si mesmas, elas certamente escolherão errado”.
A
mãe não pode dizer o que seu frágil infante será ao crescer: alto ou baixo,
fraco ou forte, sábio ou tolo; ele pode ser qualquer uma destas coisas ou
nenhuma delas, pois elas são incertas. Mas uma coisa a mãe pode dizer com
certeza: ele terá um coração corrupto e pecador. É natural para nós portar-nos
mal. “A estultícia”, diz Salomão, “está ligada ao coração da criança” (Pv. 22:15). “A criança entregue a
si mesma vem a envergonhar a sua mãe”(Pv. 29:15). Nossos corações são como a
terra que pisamos; deixe-a abandonada e certamente produzirá ervas daninhas.
Se
então, você for lidar de modo sábio com seu filho, não deve deixá-lo sujeito a
sua própria vontade. Pense por ele, julgue por ele, aja por ele, do mesmo modo
que você faria por uma pessoa fraca e cega; mas, pelo amor de Deus, não o
entregue aos seus próprios gostos e inclinações voluntariosos. Não devem ser
suas preferências e desejos que são consultados. Ele ainda não sabe o que é bom
para sua mente e alma, mais do que o que é bom para seu corpo. Não o deixe
decidir o que ele deve comer, o que ele deve beber, e como ele deve se vestir. Seja
consistente, e lide com a mente dele da mesma maneira. Eduque-o no caminho que
é bíblico e correto e não do jeito que ele imagina.
Se
você não pode decidir-se a este primeiro princípio da educação cristã, é inútil
continuar lendo. A vontade própria está perto de ser a primeira coisa que se
manifesta na mente da criança, e precisa ser sua primeira resolução, resistir a
ela.
Ignore
este conselho se você for colocar seu filho rumo à destruição, e ao invés
disto, ensine-lhe auto-estima positiva; ensine-o que o maior amor está dentro
dele e que o mundo, de fato, gira ao seu redor”.
2)
Nunca o discipline corporalmente. Os provérbios que sugerem punição
corporal, são bárbaros e ultrapassados. Nós somos civilizados. Nós temos o Ano
da Criança! Nós erguemos nossas consciências, não palmatórias! Provérbios 13:24
“O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina”
está errado. Ignore-o. O 22:15 “A estultícia está ligada ao coração da criança,
mas a vara da disciplina a afastará dela”, também. E esqueça 23:13-14 “Não
retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.
Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. Se você for
tentado a discipliná-los corporalmente, tente estas desculpas: a) “Eu apanhei
quando criança e não quero bater nos meus filhos”. Claro, que é o mesmo que
dizer “Minha mãe era gorda, por isso eu não alimento meus filhos”; b) É contra
a lei; c) Minha sogra não gosta disso. Seja criativo e pense em outras
desculpas; você achará fácil criá-las.
3) Quase tão proveitoso quanto nunca
discipliná-los é discipliná-los corporalmente insensata e/ou severamente. A
correção bíblica é amorosa, firme e controlada. Excesso de correção bíblica o
conduziria à outra direção.
4)
Esta é a favorita de muitos pais: nunca use a Escritura na correção.
Nunca explique para seus filhos qual é a vontade de Deus sobre o assunto. Não
tome Deuteronômio 6: 4-9 literalmente (“Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o
único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda
a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão
no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em
tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as
atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as
escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”).
5)
Nunca admita que você está errado. Se você deseja que seus filhos
cresçam descorteses e hostis, nunca os deixe vê-lo humilhado ou aceitando
correção. Nunca lhes peça desculpas; nunca reprima seu orgulho.
6)
Seja hipócrita. Esta é boa para lembrar. Ensine-os através das suas
ações, que suas palavras não têm valor para você.
7)
Instrua-os para escolher sua própria religião. Afinal, você não pode
forçá-los a crer.
8)
Não ore com eles ou por eles, publica ou privadamente. Se você precisa
de uma desculpa, lembre que eles acharam graça de você da primeira vez que você
tentou. Normalmente isto é suficiente para fazê-lo desistir.
9)
Evite cantar salmos e hinos com seus filhos. Mas se por alguma razão
você achar que deve, nunca lhes explique o sentido.
10)
Responda cada pergunta religiosa com “Porque nós sempre fizemos assim”.
Este é um dos meios mais eficazes de convencê-los que o cristianismo é
meramente uma tradição e não a Verdade.
11) Não
os previna sobre evolução ou outros mitos populares. Não os informe sobre
heresias da história ou suas modernas iterações. Não lhes fale nada sobre
teologias antagônicas e o porquê as igrejas ortodoxas as rejeitam.
12)
Deixe-os expressarem-se de qualquer modo que escolherem, seja no seu
jeito de vestir, no jeito que usam seu cabelo ou no seu linguajar. As novidades
sempre devem ser seguidas. Se eles desejam tatuagens ou vários piercings,
relaxe e aproveite. Não interfira. Afinal a vida é deles. E nunca olhe aquilo
que eles lêem. Eles têm direitos, você sabe. Você não lê os boletins da ACLU
(União Americana para Liberdades Civis)?
13) Não
os faça trabalhar por nada. O amor, apesar de tudo, deve ser incondicional,
certo? Então, lhes dê tudo e não espere nada. (Isto é exatamente o que você
obterá).
14)
Desde a infância, use uma linguagem simples ao falar com eles. Não
espere que alcancem a maturidade e eles satisfarão suas expectativas!
15) Não os abrace ou beije ou lhes faça cócegas,
e seja muito parcimonioso com respeito a lhes dizer que os ama. Evite por
completo, se possível. Afinal, isto não é muito másculo.
16)
Deixe-os mentir sem sofrer punição. Prove com isto que a verdade tem
pouco valor em sua casa.
17)
Deixe-os desperdiçar tempo, a esmo e sem propósito. Prive-os daquela
idéia puritana que descansamos bem para melhor trabalhar. Tente incutir neles a
moderna noção que trabalho existe a fim de
custear nossa diversão nos fins de semana; damos duro para podermos
“badalar”!
18)
Mantenha a TV sempre ligada, especialmente durante os comerciais. Este é o meio mais fácil e certo
de guiar seus filhos para o inferno. Pense! Ela pode ser pode ser o terceiro (e
o único realmente presente) "pai" delas, e a sua melhor amiga. Duas
horas na igreja aos domingos não terão um papel eficiente na formação do
caráter delas, quando confrontadas com 25 horas de televisão. Todo absoluto, de
qualquer fonte, será “relativizado” para sempre. A televisão tem sido a melhor
amiga do diabo, então a deixe possuir a sala de estar e a cozinha também. Se
possível, deixe-a ligada durante o jantar, assim ela pode reivindicar, sozinha,
o título de senhora e mediadora da verdade em sua casa.
Se
você seguir estes 18 passos, há pouca dúvida de que seu filho estará entre
aquela população infernal.
Mas
eu, particularmente, penso que você rejeitará toda esta horrenda insensatez
acima e se curvará a mais solene
responsabilidade que Deus já lhe deu: Ser pai e mãe. Se Deus nos concede a
aptidão de conduzir nossas crianças à perdição, porque alguém duvidaria que Ele
nos dá a habilidade, a responsabilidade, na verdade, o privilégio, de
conduzi-los ao céu? Se nós fielmente seguirmos Seu método de criação de
crianças da aliança, elas estarão entre a população celeste por toda a
eternidade. Que incentivo à fidelidade!
A
aliança continua por gerações, mas ela continua junto ao caminho da fidelidade,
não o da presunção. Nós temos incomparavelmente grandes e preciosas promessas
da parte de Deus, bem como admoestações. Ele nos exorta que não fazer nada é a
coisa errada. Ensine a criança em seus próprios caminhos, e quando ela for
velha, não se desviará dele. Mas Ele promete que fazer a coisa certa ocasionará
a uma colheita de promessas cumpridas. Ouça Deus meditando consigo mesmo concernente a Seu amigo Abraão: “Porque eu o
escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que
guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo; para que o SENHOR
faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito” (Gênesis 18:19).
Esta promessa é para você e para seus filhos,
e para tantos quantos o Senhor, nosso Deus, vier a chamar. É uma promessa com
condições; que alegria é cumpri-las, visando a recompensa a que elas conduzem!
Amém.
Steve
M. Schissel
terça-feira, 12 de setembro de 2017
VIDA DE PASTOR - "O PASTOR NÃO TRABALHA"
VIDA DE PASTOR -
"O PASTOR NÃO TRABALHA"
Se um Pastor
estuda, se prepara e prega uma mensagem de 45 minutos, ELE NÃO TRABALHA.
Se um
Psicólogo atende e aconselha pessoas, ele está trabalhando.
Se um Pastor
atende e aconselha pessoas, ELE NÃO TRABALHA.
Se um
Administrador se organiza, faz reforma, contrata mão de obra, e gerencia uma
empresa, ele está trabalhado…
Se um Pastor
se organiza, faz reforma, contrata mão de obra e gerencia uma igreja, ELE NÃO
TRABALHA.
Se um
contador faz os cálculos, economiza, equilibra as finanças e faz investimentos,
ele está trabalhando…
Se um Pastor
faz cálculos, economiza, equilibra as finanças e faz investimentos na igreja,
ELE NÃO TRABALHA.
Se qualquer
um desses tirar férias, é justo, afinal, eles trabalham…
Já um pastor
não pode tirar férias, não deve receber salário, e não merece respeito…
Afinal, ELE
NÃO TRABALHA.
VALORIZE SEU
PASTOR!
VIDA DE PASTOR:
PASTOR É
ALVO DAS MAIS DESENCONTRADAS OPINIÕES…
Se o Pastor
é ativo – É ambicioso
Se é calmo –
É preguiçoso
Se o Pastor
é exigente – É intolerante
Se não exige
– É displicente
Se o Pastor
visita – É incômodo
Se não
visita – É irresponsável pelas ovelhas
Se o Pastor
fica com os jovens – É imaturo
Se fica com
os adultos– É antiquado e ultrapassado
Se fica com
as crianças – É infantil
Se procura
atualizar-se – É mundano
Se não
atualizar-se – É mente fechada
Se o Pastor
cuida da família – É descuidado com a Igreja.
Se o Pastor
cuida da Igreja – É descuidado com a família
Se prega
pouco – É que não tem mensagem
Se prega
muito – É enfadonho
Se não tem
boa oratória – É despreparado
Se tem boa
oratória – É exibido
Se procura
agradar a todos – É sem personalidade
Se é
positivo, e procura corrigir – É parcial
Se o Pastor
se veste bem – É vaidoso
Se veste mal
– É relaxado
Se não sorri
– É cara dura
Se o Pastor
ri – É irreverente
Se realiza
programas novos – É que só quer viver de promoções
Se não
realiza. – É que não tem ideias
Se o Pastor
é alegre – É sem linha
Se chora no
púlpito – É chorão
Se o Pastor
organiza trabalho – É explorador do rebanho
Se não
organiza – É que não dá trabalho ao rebanho
Se o Pastor
fala alto – É irritante
Se fala
baixo – É um coitado, não tem voz ativa
Se o Pastor
prega na rua – Está baratiando o evangelho
Se só fica
na igreja – É acomodado nas quatro paredes
Se o pastor
está triste,- Já dizem que perdeu a fé.
Se o pastor
fica doente, - É porque está na carne.
Ser Pastor é um tremendo desafio. É uma questão de chamada e de
entrega.
O Pastor é
uma pessoa, que tem sentimentos!
Entenda o seu Pastor!
O Pastor é
um ser humano que precisa das ovelhas, tanto quanto precisamos dele. É o
portador das Boas Novas.
Ame e
entenda seu Pastor.
Ore e apoie o seu Pastor. Ele é
carente de oração.
by Facebook Leandro Barreto
“E
dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com
ciência e com inteligência. ” (Jeremias 3:15)
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
O amor que excede todo entendimento
As três maiores razões para
Cristo
amar você
por Mark Jones
Se um pregador tivesse apenas um
sermão para pregar a incrédulos, provavelmente ele pregaria algo que seguisse o
padrão apostólico do livro de Atos. Mas, e se ele tivesse a chance de dar
apenas uma mensagem para aqueles que são cristãos? Aqui, naturalmente, há muito
mais liberdade.
Normalmente, quando estou diante de
uma situação em que, nessa vida, talvez eu não veja novamente os cristãos com
quem estou falando, eu lhes conto sobre as verdades que têm importância
especial para os cristãos, como o amor que Cristo tem por sua igreja (Ef 3.19).
Os puritanos às vezes têm uma fama
ruim por sua teologia, em especial na áreas da segurança da salvação. Ainda
assim, eu consegui segurança completa da salvação ao ler um puritano, Thomas
Goodwin. Nenhum escritor continental me deu um senso do amor de Cristo por mim
da forma como Goodwin fez quando, pela primeira vez, eu o li tratando sobre o
coração de Cristo nos céus voltado para os pecadores na terra.
Assim, se você me perguntar sobre que
tópico eu falaria a cristãos se tivesse apenas um estudo/sermão, provavelmente
o foco seria o amor de Cristo pela igreja. De fato, recentemente eu tive o
privilégio de falar sobre o amor de Cristo por sua noiva no Brasil, quando me
pediram para dar um estudo bíblico improvisado.
Como você (cristão) sabe que Cristo
te ama? Como você pode ter certeza de seu amor por você? Abaixo estão aquelas que
creio serem as três maiores razões para Cristo amar você.
1. O mandamento do Pai ao Filho.
O Pai deu a Jesus um mandamento perpétuo de amar pecadores
(ver Jo 6.37-40; Jo 10.15-18; 15.10). Jesus permanece no amor do Pai ao amar os
pecadores. Não pode haver maior influência que leve o Filho a amar-nos,
miseráveis pecadores, que o mandamento do Pai. Cristo deixar de nos amar seria,
na verdade, deixar de amar seu Pai.
Pense nas palavras de Cristo a Pedro
em João 21.15-17. Cristo pergunta três vezes a Pedro: “Você me ama?”. Pedro
demonstrará seu amor por Cristo ao apascentar as ovelhas de Cristo. Agora,
pense no Pai perguntando ao Filho: “você me ama?”. Filho: “Sim, Pai, você sabe
que eu te amo”. Pai: “Morra por minhas ovelhas, ame minhas ovelhas, alimente minhas
ovelhas”.
Cristo mostra seu amor pelo Pai
amando aqueles a quem o Pai lhe deu. Não pode haver maior prazer para Cristo
que expressar seu amor por seu Pai. Isso tem implicações grandiosas para nós:
significa que Cristo demonstrará seu amor pelo Pai amando-nos.
2. A obra do Espírito no Filho.
Cristo possuía o Espírito sem medida (Jo 3.34). Ele é o
homem do Espírito por excelência. Em sua entrada nos céus, Cristo recebeu um
novo derramamento do Espírito no máximo grau possível para qualquer ser humano
(At 2.33; Sl 45). Como misericordioso sumo sacerdote, exaltado nos céus, o
Espírito produz graça e misericórdia em Cristo de uma maneira que supera até
sua graça e misericórdia na terra. Portanto, Cristo, tendo o fruto do Espírito
(Gl 5.22) é ainda mais paciente em relação os pecadores agora no céu que quando
ele estava na terra. Isso explica parcialmente por que Cristo disse que era
melhor que ele partisse do que ficasse (Jo 16.7).
Como Thomas Goodwin disse, “seus
pecados o levam mais à compaixão que à ira”. Isso é o que significa Cristo ser
um sumo sacerdote compassivo.
O corpo ressuscitado de Cristo
possibilitou que ele recebesse não apenas um novo derramamento do Espírito
sobre sua natureza humana no céu, mas corpo ressuscitado o capacitou a receber
um derramamento ainda mais pleno sobre sua natureza humana no céu, como o Rei
exaltado. Assim, Cristo é mais paciente, amoroso e misericordioso no céu (i.e.,
na glória) em relação a pecadores que quando ele estava em seu estado de
humilhação.
3. O santo amor do Filho por si mesmo.
Ao salvar e abençoar seu povo, Cristo está colhendo o
fruto de sua obra pelos pecadores. Ele está mais preocupado com nossa salvação
do que nós mesmos. Como um bom marido, Cristo ama sua esposa. Mas, lembre-se,
ao amar sua esposa, ele está amando a si mesmo:
Assim, o marido deve amar sua mulher
como ao próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Pois ninguém jamais
odiou o próprio corpo; antes, alimenta-o e dele cuida; e assim também Cristo em
relação à igreja; porque somos membros do seu corpo (Ef 5.28-30).
Por que Cristo privaria seu próprio
corpo de graça? Eu posso ter certeza de que ele me amará porque eu pertenço a
ele, e ele teria que odiar a si mesmo antes que pudesse odiar-me. Não importa o
que recebemos como cristãos (graça, amor, bênção, etc.), podemos estar certos
de que recebemos essas graças porque Cristo ama a si mesmo.
Cristo tem amor por mim, sei que a Bíblia diz assim:
1) Jesus deve amar pecadores para
expressar seu amor por seu Pai.
2) Jesus será paciente e misericordioso
comigo por causa do efeito do Espírito Santo sobre ele no Céu.
3) Jesus me amará porque ele é um bom
marido, de forma que, amando-me mais, ele está se amando mais.
Se você é um cristão batalhando com a
sua segurança, aqui, então, estão três razões abençoadas para ter certeza: Pai,
Filho e Espírito Santo.
E sabe o que mais? Quantas dessas
razões para Cristo nos amar têm algo a ver com as coisas que fazemos? As
maiores razões para Cristo te amar são inteiramente dependentes do Deus triúno,
não de nós, o que realmente é uma boa notícia.
A coisa mais estranha sobre parte da
teologia que vem dos arraiais daqueles que afirmam enfatizar a graça em sua
pregação e ensino é que eles nem sempre fazem um trabalho muito bom de
expressar a rica teologia da graça encontrada nas Escrituras. Uma coisa é usar
muito a palavra graça, outra bem diferente é expressar uma robusta teologia
trinitariana da graça que enfatize a pessoa de Cristo de uma maneira que vá
além dos slogans manjados.
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
O Deus vivo é um Deus missionário.
O Deus vivo é um Deus
missionário. O caráter de Deus exprime isto. Missões existem para a própria
glória do Senhor da missão. Missões nunca foi invenção humana. Nenhum ser do
mundo seria capaz de criar um projeto tão perfeito e tão singelo como este. Missões
faz parte da própria natureza de Deus.
Primeiro: Deus e sua criação –
De acordo com Stott, é
importante conhecer a base sobre a qual repousa a missão cristã; É importante
conhecer porque Deus é o criador. Porque pela primeira vez nas Escrituras vemos
que o Deus Criador é também um Deus que fala. Ele fala com a sua própria
criação, comunicando a ela uma ordem de restauração ou de recriação:
"Disse Deus: Haja luz; e houve luz" Gn 1.3.
Este é o primeiro ato
missionário de Deus. Ele liberta a sua criação das trevas. Ele estabelece
também um paradigma bíblico: Deus é quem toma a iniciativa de vir em socorro da
sua criação. A terra recriada serve agora para os propósitos de Deus.
Segundo: A) Deus
e a queda do homem
Com o advento da queda Foi Deus quem tomou a iniciativa missionária quando
se auto-enviou ao jardim do Éden e anunciou as boas novas ao primeiro casal
humano (Gn 3.15, proto-evangelho),
B) Deus e as famílias da Terra
Mais uma vez encontramos
a criação em trevas. Faltava entendimento da ordem de Deus e faltava
principalmente o desejo de servir o Criador. Gn 6:5,8 - A criatura, seguindo o
padrão da queda, quer ser como Deus, Gn 11.4. Desobediência leva ao julgamento,
11.8-9.
Com as famílias
dispersas, estabelece-se um novo caos. Deus chama a família de Abrão para
abençoar as famílias sem Deus. Abrão torna-se o referencial da bênção e da
maldição sobre os povos, Gn 12.1:4.
Implicações para a missão transcultural
Deus está no controle da
sua criação. Ele não a abandona e nem lhe dá rédeas livres para viver conforme
sua própria imaginação. A luz de Deus expulsa a treva.
Deus toma a iniciativa
de libertar a sua criação. A missão é desenvolvida a partir do entendimento de
que o cosmos está subordinado ao Deus Criador.
Em Abrão e no seu
descendente está o referencial de salvação para a humanidade.
Terceiro: Deus enviando Jesus
Depois enviou o Filho
missionário (Jo 3.16) e por fim, Deus Pai e Deus Filho enviaram o Espírito
missionário (At 1.8). Ainda hoje, Deus é o sustentador da obra missionária.
Deus ama missões. Missões existem para a glória de Deus. A igreja existe para
proclamar a glória de Cristo. Alguém disse que se Deus Pai é missionário, se
Deus Filho é missionário e se Deus Espírito é missionário, não temos escolha,
ou somos missionários ou somos impostores.
Quarto: Deus e a bíblia
Deus também nos deixou
um livro missionário para nos orientar no trabalho da seara: a Bíblia. A Bíblia
é a Palavra de Deus inspirada, inerrante, suficiente e autoritativa. Nela há um
clamor missionário do primeiro livro (Gênesis) ao último (Apocalipse). Há um
teor evangelístico nas Sagradas Escrituras, de modo que todo cristão é chamado
a proclamar as boas novas de salvação única e exclusiva em Jesus Cristo. As
Escrituras mostram muitos homens que Deus levantou na história com o único
propósito de proclamar o Evangelho. Assim, não temos alternativa, ou
evidenciamos a fé cristã através da obra missionária ou a negamos.
Quinto: Deus e a Igreja
A igreja foi chamada
para exultar o Senhor da glória. Existimos para adorar a Deus com todo o nosso
ser, alma, força e entendimento. Devemos obedecer ao mandamento de Cristo: Ir e
fazer discípulos, para Ele, de todas as nações, povos e línguas, ensinando-os a
guardar tudo o que Ele ensinou e batizando-os em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo (Mt 28.19-20).
Missões no NT
Lucas relata que Jesus,
depois de ressuscitar, reuniu seus discípulos e falou-lhes duas coisas. A
primeira foi que o Antigo Testamento ensinava claramente que o Messias tinha de
morrer e ressuscitar. Em seguida, acrescentou que o evangelho seria pregado a
todas as nações.
O ensino que Jesus
transmitiu aos discípulos após a ressurreição deve ter sido uma novidade para
eles, mas estava claramente expresso no texto sagrado. Veja como Jesus falou:
“Está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no
terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de
pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46, 47).
A ordem de fazer missões
é muito clara no Novo Testamento, porém Jesus buscou no Antigo Testamento a
base para essa declaração. Se lermos a Bíblia toda sem observar sua ênfase
sobre missões, provavelmente a estamos lendo superficialmente, sem notar a centralidade do plano de Deus
para as nações.
Leiamos alguns
textos para comprovar que a tarefa de
levar o evangelho a todas as criaturas, nações, línguas e povos não era uma
novidade do primeiro século. Ela começou no coração de Deus e foi anunciada
inicialmente no Antigo Testamento.
A finalidade da criação
O Antigo Testamento
começa com a criação de tudo que existe. No centro de seu plano, Deus criou o
homem – e todos nós – à sua imagem, por várias razões. O próprio Universo não
existiu eternamente. Deus o criou com um propósito. O Universo teve início num
momento da História – “no princípio” – e terminará no fim da História, após a
segunda vinda de Cristo. Por que Deus decidiu fazer tudo que fez? Os cientistas
ateus pesquisam a criação. Descobrem os segredos da natureza e como funcionam
os processos e leis naturais, mas lamentam não saber a razão por que existe
qualquer coisa, porém nós, cristãos, sabemos os motivos de o Universo e o homem
existirem. Citaremos apenas cinco deles.
Primeiro motivo da criação
O
desejo de Deus de ter pessoas com quem pudesse desfrutar comunhão. Deus é
social. Ele ama pessoas como nós – gente. Gente que conversa com ele. Ele
queria alguém com quem pudesse conversar e de quem recebesse adoração. Por isso,
criou-nos à sua imagem, para ter um relacionamento amoroso conosco. Isso se
encaixa estreitamente na tarefa missionária. O propósito das missões tem seu
fundamento nesse desejo de Deus. Cada pessoa que se converte hoje terá comunhão
com ele eternamente. Gn. 2:4,25
Segundo motivo da criação
Deus é um Deus feliz. Deduzimos isso de uma frase de 1 Timóteo 1.11 e 6:15, “o
evangelho da glória do Deus bendito”. A palavra “bendito” (makârios, no grego)
quer dizer “feliz” (compare com as bem-aventuranças). Três vezes nos é dito que
o nosso Deus é “bendito eternamente” (Romanos 1.25; 9.5; 2 Coríntios 11.31). Ele
queria compartilhar sua felicidade com o ser humano. As pessoas mais felizes da
terra devem ser os missionários. Com certeza, divulgar as boas novas, obedecer
à última ordem de Cristo, levar pessoas a conhecê-lo e, por conseguinte, poder
entrar no gozo do Senhor é um trabalho glorioso e tem relação direta com o
motivo de Deus ter criado a humanidade. Quão felizes, para Deus, foram aqueles dias em que Ele estava
criando universo (Provérbios 8.30-31)! - Não é de se admirar que Paulo chame sua mensagem de “o evangelho da
glória do Deus bendito”, ou seja, alegre! (1 Timóteo 1.11 e 6:15)
Terceiro motivo da criação
Deus nos criou para mostrar seu amor. Ele já amava o Filho, e o Filho
amava o Pai, mas queriam um povo para demonstrar seu amor. Ele multiplicou a
população da terra para revelar seu infinito amor. Ele derramou seu amor em
nosso coração para que possamos também amar aqueles que Deus ama. Se você não
é missionário, no sentido mais lato da
palavra, talvez o amor de Deus tenha sido sufocado em sua vida. Não entrou na
sua veia nem nas suas artérias, por isso não circula em seu coração o desejo de
alcançar os perdidos. Deus criou homens e mulheres para compartilhar sua
felicidade e demonstrar seu amor. Devemos responder e corresponder ao seu amor
com grata obediência. Jeremias
31:3-Os 11:8-9
Quarto motivo da criação
Deus criou o mundo para ser glorificado por meio dele. Ele criou o ser humano à sua imagem
para que este pudesse glorificá-lo por causa de sua graça. Ef 1.6 é uma
passagem fundamental das Escrituras porque explica o motivo pelo qual Deus nos
criou. Considere seriamente que, tanto a eleição antes da fundação do mundo
quanto a predestinação para sermos filhos adotivos, aconteceu, segundo esse
texto, “para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente
no Amado”. Não é possível negar, à luz dessa passagem, que o propósito original
no plano da criação foi que pessoas inteligentes e dotadas de emoção louvassem
a graça gloriosa de Deus. Esse é o principal motivo das missões. Paulo escreveu
aos coríntios: “Todas as coisas [os sofrimentos] existem por amor de vós, para
que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de
muitos, para glória de Deus” (2Co 4.15).
Quinto motivo da criação
O coração missionário de Deus revelado no Antigo Testamento
Examinemos alguns
textos-chave da Bíblia para buscar as bases para missões e o propósito divino
para a humanidade.
Gn 12.1-3
Esta passagem central no
Antigo Testamento apresenta a chamada de Abraão, nosso pai na fé e tem
importantes implicações para a obra missionária:
Disse o Senhor a Abrão:
Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que
te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei
o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que
te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.
Nesta passagem, que
Jesus deve ter mencionado aos seus discípulos, temos uma dupla ordem: “Sai da
tua terra” e “Sê tu uma bênção”. Abraão deveria sair para ser uma bênção e ser
abençoado. Nele o mundo inteiro – todos os lugares, tribos, povos e nações –
seriam abençoados. Cremos na Palavra de Deus e que essa promessa, ainda não
concretizada inteiramente, irá se cumprir.
Existe algo mais
interessante nesse texto. Qualquer contador, ou pessoa que trabalha com
números, sabe que a soma de todas aquelas fileiras de cifras depende dos
números que estão em cima. Ele sabe que se houver um erro em alguma dessas
cifras, haverá um resultado errado na última linha. Esse princípio da
matemática pode ilustrar e explicar por que o compromisso das igrejas com as
missões é tão fraco.
O Brasil evangélico, até
agora, enviou um número quase inexpressivo de missionários. Há menos de um
missionário para cada 10 mil crentes. Estou convencido de que essa desproporção
tem uma explicação razoável. Vejamos como se aplica à tarefa missionária. Como
já vimos, se escrevemos números errados nas linhas de cima, a soma estará errada.
A passagem de Gênesis
contém a promessa de que Deus há de abençoar a Abraão. Todos querem as bênçãos
de Deus. Corresponde à linha de cima o “abençoarei”, mas se entendemos mal a
linha de cima, a linha de baixo – “Sê tu uma bênção” para todas as nações (famílias)
da terra – sairá errada. A bênção da promessa está diretamente ligada à
obediência à ordem de ser uma bênção. Não dá certo buscar a bênção sem querer
ser uma bênção. Todas as nações receberão as bênçãos prometidas a Abraão. A
Palavra de Deus não pode falhar, mas primeiro é essencial que Abraão e seus
descendentes pela fé sejam uma bênção. É inútil reivindicar bênçãos se não
estamos abençoando os perdidos com a oferta do evangelho.
Receber benefícios da
parte de Deus corresponde à linha de cima. Transmitir esses benefícios para os
que não têm acesso à bênção abraâmica está diretamente vinculado às bênçãos
recebidas. A bênção da salvação, a linha de cima, implica a responsabilidade de
ser uma bênção, de compartilhar essa salvação com os que não têm acesso ao
evangelho.
Gn 50.15-21
A história de José, em
Gênesis 50, revela o mesmo princípio. Seus irmãos estavam preocupados com o
fato de que José, agora exaltado com plenos poderes no Egito, retribuísse o mal
que sofreu.
Vendo os irmãos de José
que seu pai já era morto, disseram: É o caso de José nos perseguir e nos
retribuir certamente o mal todo que lhe fizemos. Portanto, mandaram dizer a
José: Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a José:
Perdoa, pois, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram
mal; agora, pois, te rogamos que perdoes a transgressão dos servos do Deus de
teu pai. José chorou enquanto lhe falavam. Depois, vieram também seus irmãos,
prostraram-se diante dele e disseram: Eis-nos aqui por teus servos.
Respondeu-lhes José: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus? Vós, na
verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer,
como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. Não temais, pois; eu vos
sustentarei a vós outros e a vossos filhos. Assim, os consolou e lhes falou ao
coração.
Está bem claro no texto
que a bênção na vida de José, depois de muitas maldições, não deveria ser
limitada a ele próprio. A grande bênção que recebeu (a linha de cima) teria de
implicar a bênção de sua família e muitos milhares de vidas salvas. A revelação
que José recebeu sobre os anos de prosperidade e sobre a fome no Egito mostrou
que Deus tinha um propósito central para sua vida. Deus o abençoou para que ele
pudesse abençoar outras pessoas. A linha de cima – os benefícios recebidos –
implica a linha de baixo – a concessão de benefícios aos que não os possuem.
Deus nos revelou algo muito mais precioso, uma revelação mais importante que a
recebida por José. A questão é: por que Deus tem abençoado a sua vida? A razão
bíblica é a preservação de vidas para a eternidade na gloriosa presença de
Deus. Se nos interessamos apenas em receber a bênção da salvação, sem passá-la
adiante, estamos contrariando o propósito de Deus. Desprezamos a prioridade
divina.
Dt 4.5-8
Aqui Moisés mostra
também as duas linhas, as bênçãos decorrentes de ser o povo escolhido e a
responsabilidade de abençoar as nações:
Eis que vos tenho
ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor, meu Deus, para que assim
façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os,
porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos
povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é
gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão
chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que
grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que
eu hoje vos proponho?
Imagine se o Brasil
estivesse na posição de Israel prevista nesse momento histórico. Se as leis
escritas e assinadas pelo presidente fossem leis criadas na mente de Deus e
passadas diretamente aos deputados em Brasília, como o país estaria bem!
Imagine se o Brasil, como o Israel antigo, em vez de pensar em problemas e
dívidas internacionais, pudesse dobrar os joelhos e usufruir a bênção notável
de empregos para todos, de estarem os meninos de rua recebendo o devido
cuidado. Imagine a bênção de saber que os órfãos estão sendo nutridos com as
verdades de Deus. Imagine um Brasil que não precisasse cuidar de suas
fronteiras nem combater o tráfico de drogas. Pense em ter Deus tão próximo a
proteger a nação: não seria preciso gastar dinheiro com o Exército e nem com
policiais. Leis falhas e interesseiras, feitas por homens, seriam substituídas
por leis divinas e perfeitas. Beneficiado por essas leis e pela proteção divina
nas crises, em resposta às orações do povo de Deus, o Brasil seria um país
invejável. Foram essas bênçãos, segundo o texto de Deuteronômio, que Deus
ofereceu a Israel.
Qual seria o efeito
dessas bênçãos (a linha de cima) sobre os países vizinhos? O próprio texto
responde. Seria um forte efeito missionário com seus benefícios. As nações
vizinhas buscariam ao Senhor e seguiriam suas leis (a linha de baixo).
Aprenderiam a viver bem imitando o Brasil e obedecendo às leis criadas no céu.
Buscariam ao Deus único e ao seu Reino para obter as bênçãos desfrutadas pelo
Brasil.
Vejo um país que tem
grande interesse em ser um país evangélico. Existem até previsões de que em
poucos anos o Brasil será do Senhor, mesmo antes de sua vinda. Não sei se
podemos realmente esperar uma bênção tão grandiosa, mas se acontecer não será
surpresa se os países vizinhos vierem buscar a mesma bênção (a linha de baixo).
Houve uma época em que
um país foi extraordinariamente abençoado. Esse país foi fundado no século
XVII. Os fundadores fugiram da Inglaterra para estabelecer uma nação em que
Deus seria honrado e haveria liberdade de consciência. As bênçãos de Deus
caíram sobre os Estados Unidos. Houve um tempo em que as crianças podiam sair
de casa sem perigo. Não havia meninos de rua. As chaves ficavam dentro do
carro, sem que fosse preciso trancar as portas.
As casas ficavam abertas
sem muros ou sistemas de alarme. Não se pensava em violência nem se falava em
drogas. Homicídio era uma raridade. Hoje não é mais assim. Esse país mudou,
depois que abandonou a maioria dos princípios que garantem a bênção. A
preocupação com a evangelização de todos os povos diminuiu.
Quando Jimmy Carter
estava na presidência, um amigo foi convidado para falar num congresso de
missões nos Estados Unidos da América. Cerca de 4 mil pessoas esperavam atentas
a palavra do pastor Greg Livingstone (hoje diretor de uma missão no norte da África).
Concederam-lhe um minuto
para falar. Ele foi à frente e fez a seguinte pergunta: “Quantos de vocês estão
orando pela libertação dos 52 americanos sequestrados no Irã?”. Os mais velhos
lembram-se da grande preocupação causada pelo sequestro daqueles americanos.
Quase todas as mãos se levantaram no auditório, indicando a preocupação
generalizada. Em seguida, fez outra pergunta: “Quantos estão orando pela
libertação de 52 milhões de iranianos das algemas de Satanás?”. Os braços foram
abaixando até não restar mais que um ou dois em toda aquela multidão. Meu amigo
sentou-se, sem utilizar todo o seu minuto, dizendo: “Percebo que vocês são mais
americanos que cristãos!”. Ficou claro que ele falava das duas linhas.
Aqueles milhares de
pessoas preocupavam-se apenas com a linha de cima. Sabiam de quem e em que nome
podiam pedir a libertação dos sequestrados, mas não tiveram a preocupação de
pedir a libertação de 52 milhões de seres humanos algemados espiritualmente.
Quero deixar assentado,
primeiramente em meu coração, depois no do leitor, que a linha de baixo depende
de entendermos a razão pela qual Deus abençoa nossa vida. Se não recebi bênção
alguma, tudo bem. Se não ganhei nada de Deus, ele não cobrará nada de mim. No
entanto, se Deus tem nos abençoado de alguma maneira especial e se ele nos tem
dado conhecimento da verdade de sua Palavra, com o resultado de que podemos
viver e morrer felizes, temos de levar a sério a linha de baixo.
Sl 67.1, 2
Mais um texto confirma a
tese desta mensagem. O salmo 67 mostra as duas linhas de maneira notável.
Quantos se esqueceram de orar hoje? Quantos têm coragem de admitir isso?
Provavelmente, a maioria orou. E quem não pediu qualquer bênção? Sabemos que é
raríssimo orar sem pedir pelo menos uma bênção.
Animou-me bastante notar
que em Sl 67.1,2, Deus não condena a prática de pedir bênçãos. Esse salmo fala
de bênçãos, mas não exatamente de prosperidade:
Seja Deus gracioso para
conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se
conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação.
Meditando, perguntei
para mim mesmo o que teria acontecido se a nação israelita, receptora original
dessas palavras inspiradas, tivesse dado prioridade a esse texto. Como seria
diferente a história da humanidade se Israel tivesse dado valor à linha de
baixo e estabelecido como o mais importante alvo de sua existência abençoar a
todos os árabes! O mundo tem mais de um bilhão de muçulmanos. Israel é apenas
uma pequena ilha num oceano inimigo de muçulmanos. Se, em vez de se preocupar
com a própria segurança, Israel tivesse pedido a bênção de Deus para os
muçulmanos, a fim de que conhecessem os caminhos do Senhor, como seria
diferente a história atual! Provavelmente, milhares de pessoas estariam vivas,
e famílias inteiras, ainda unidas. As torres gêmeas não teriam caído em Nova
York, soterrando quase 3 mil pessoas.
Quase todos os dias
morrem vítimas do ódio em Israel. Parece que Israel formou sua nação para
buscar a própria segurança, em vez de abençoar os povos vizinhos. Não é meu
propósito lançar críticas contra ninguém, mas esse salmo não deixa dúvidas
quanto ao propósito de Deus. Paremos um instante para refletir. Qual é minha
preocupação maior na vida? A resposta de todos nós é a mesma. Ser abençoado por
Deus. Quero que ele abençoe minha família, os filhos, os netos, a esposa, o
trabalho, a situação financeira. É isso o que mais importa. E Deus não despreza
tais petições, porém não estaremos glorificando a Deus se dermos prioridade à
linha de cima e ignorarmos a linha de baixo.
Jesus, pouco antes de
sua exaltação, declarou aos discípulos que a bênção de os povos gentios
conhecerem os caminhos do Senhor deve ser o foco de seu ministério. Em
Jerusalém, na Judeia, em Samaria e até os confins da terra, eles seriam
testemunhas da graça de Deus que salva. Quero encerrar afirmando algo sobre
nossa nação. Os irmãos sabem que a teologia predominante no Brasil é a chamada
“teologia da prosperidade”. É quase certo que o pregador que conseguir
convencer brasileiros – evangélicos, católicos, espíritas e mesmo pessoas sem
religião – de que possui poder para liberar bênçãos como saúde, emprego,
salário maior e paz na família será “bem-sucedido”. Quem promete abençoar o
povo material e socialmente está fadado ao “sucesso”. Contudo, quero enfatizar
que é uma distorção do evangelho, pois não há interesse prioritário na linha de
baixo. As promessas da antiga aliança, que abençoaram Israel materialmente,
tinham o propósito de persuadir os povos a adorar e obedecer a Deus na
totalidade de sua existência.
Quais são as promessas
da nova aliança? Cristo voltará quando todas as nações tiverem ouvido que
Cristo é o único caminho para Deus. Ele é o único Salvador. O descaso para com
a obrigação missionária, em razão do interesse voltado para esta vida,
demonstra pouco compromisso com a vida vindoura. Não se fala muito sobre o
investimento no destino final.
A busca pelo poder do
Espírito como forma de obter alívio, conforto e bem-estar, em vez de testemunho
e proclamação, está em desacordo com o propósito central de Deus. A teologia da
prosperidade destaca o ter, e não o ser. A lei da nova aliança deve ser
interna. “Esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles
dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração
lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31.33). Não
é a vontade de Deus que busquemos os benefícios do Reino de Deus sem dar
prioridade ao próprio Reino. Os benefícios ilimitados de Deus virão no Milênio,
mas poucos querem esperar um futuro distante e pouco almejado.
O resultado dessa
distorção pode ser percebido no desinteresse em conhecer a Palavra de Deus. Há
também quase nenhum interesse pela exegese, pela hermenêutica, pelo discipulado
e pelo estudo da Palavra. Busca-se a experiência, e não o Senhor das
experiências. Parece uma diferença sutil, mas é importante. O Espírito Santo é
apresentado mais como fonte de poder que como pessoa divina que glorifica ao
Senhor Jesus (Jo 14.13). A ênfase exagerada sobre o indivíduo desvia nossa
atenção da comunhão e da responsabilidade mútua da igreja (1Pe 2.9, 10).
Não é certo omitir a
ênfase sobre a obrigação e destacar apenas a motivação do amor que produz a
alegria no Senhor (1Co 13.1, 4, 5).
É muito comum omitir-se
a proclamação da teologia bíblica acerca do sofrimento. Nesse caso, onde se
encaixaria a cruz de Cristo ou as condições do discipulado? “Se alguém quer vir
após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz [diariamente] e siga-me” são
palavras pouco ouvidas, mas foram pronunciadas por Jesus. Buscar os dons e
manifestações do poder de Deus em benefício próprio, e não em benefício do
Corpo de Cristo é mais um desvio do propósito bíblico revelado na Palavra.
Todas essas aberrações e distorções, até o ponto em que caracterizem a igreja
brasileira, mostram preocupação com a linha de cima, e não com a de baixo. Para
o Brasil se tornar um verdadeiro celeiro de missões, é necessário que haja uma
mudança de paradigma. Como Israel, no período do Antigo Testamento, teve a
oportunidade de influenciar o mundo ao seu redor em prol do Deus único,
cumprindo suas leis e demonstrando um amor profundo pelo Senhor, temos o
desafio de realinhar nossas prioridades. Se genuinamente nos preocuparmos com a
linha de baixo, isto é, que o evangelho seja proclamado e vivido entre todos os
povos, a bênção gloriosa cairá sobre nós. Paulo assim se refere a esse futuro:
“Para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser
comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação
aguarda a revelação dos filhos de Deus
[…] para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.18, 19, 21).
Russell P. Shedd
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